Maio, 11. Dias das mães 2008
Havia parado de postar por alguns motivos. O primeiro foi o pedido da própria Danielle, pois toda vez que postamos alguma coisa, tecnicamente, ela está ao meu lado.E mesmo, nos posts curtos, há uma longa conversa para decidimos como e o que transmitir. Ou seja, eu sou um mero objeto.
Nas últimas semanas, Danielle estava exausta por causa do final da gravidez, e, houve um agravante: a problemática das contas de energia elétrica com a AES. Fora isso, sua patroa, quer que ela retorne ao trabalho na semana seguinte do parto. Aliás, escreveríamos hoje, agora, sobre isso, se ela não estivesse, nesse momento, em trabalho de parto no Amparo Maternal.
Há cerca de 3 horas levei Danielle até a maternidade gratuíta. Ela ficará lá até a Lorane nascer, provavelmente amanhã às 6hs. O parto será normal. Descobri muitas coisas hoje, durante a 1 hora de espera. São muitas mães-menininhas, mulheres com sonhos e muita luta. Vozes escondidas além do Santa Catarina, da Promatre, do Eisten. São a maioria.
Mulheres que estão abrigadas lá pois não possuem casa, mulheres que tentaram vários hospitais, mulheres em trabalho de parto transferidas de hospitais do Capão Redondo. Um cenário sem enfermeiras-modelo, enfeites e ramalhetes enormes, sem baby-store com roupinhas carissímas.
Assinar como sua responsável legal para a internação não foi algo tão simples, psicologicamente. Menos ainda foi entrar no lugar em que ela está agora, e ver outras mães, e imaginar as possivéis histórias. Eu chorei, chorei muito.
O Amparo Maternal é um hospital muito bom, super-limpo, as obstetrizes atenciosas. Quando cheguei no quarto em que ela está com mais duas acompanhantes, Danielle tomava chá mate com limão, bem quentinho, e comia um lanche de pão-francês, manteiga e mussarela. Elas estavam conversando...Eu teria um filho lá, sem a menor sombra de dúvidas.
Uma das coisas que Danielle pediu foi para eu comunicar o pai da criança e que também postasse sobre.
Durante todo esse período, eu Maira, passei por uma fase de sublimação. Ouvindo muitas pessoas dizer que o que estou fazendo é desnecessário, que ela não presta, que vai arrumar mais filhos, que não adianta. Do outro lado, eu pensava no mundo. Em como ele está, e o que será dessa menina-do-Dia-das-Mães. Também um menina-presente-de- aniversário *para mim. Estou psicologicamente abalada, realmente bem confusa. Não consigo ser imparcial. Não sei se gostaria.
Gostaríamos muito, se alguns dos leitores desse blog quisessem visitá-la no Hospital. Quem quiser, é só falar. Será um prazer!
Desejo força para essa menina que virá ao mundo. Ela já é uma sobrevivente.
Desejo, também, coragem para todos nós, que podemos mudar alguma coisa, porque alguma precisa ser mudada. (Óbvio!)
Gostaria de não ter criado esse blog para tal finalidade, espero que daqui há 18 anos, o desfeixe seja positivo.
Abraços,
Maira
meu email - mairabegalli@gmail.com
twitter/mairabegalli
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