Outras Histórias

Danielle e o rapaz, foram morar juntos. Compraram uma "casa" no Heliopólis, fizeram planos para o futuro. O primeiro filho do casal, um menino, nasceu no dia 12 de dezembro de 2003. Quase dois anos depois, em 21 denovembro de 2005, outro menino, concebido por Danielle e se "esposo" veio ao mundo. Mesmo sem uma situação financeira estável, sem muitos dos recursos que consideraríamos essenciais supridos, até maio de 2006, Danielle acreditava que tinha alcançado o sonho de constituir uma família. "Morava com o pai dos meus filhos, tinha minha casa e um trabalho, me sentia feliz".

Porém, na manhã do dia 24 de maio, quando às 06hs, acordou repentinamente ao ouvir gritos dentro de sua casa, viu seu sonho desmoronar. "Eu fiquei assustada fui até a sala, e lá encontrei meu marido caído no chão, com 4 balas no peito e meu vizinho com uma arma na mão. Mas quando ele me viu saiu correndo, e nunca mais ninguém achou ele". Seu filho mais velho, na época com 2 anos, também presenciou a cena.

“Ele tinha uma treta com esse cara. O vizinho achava que ele estava de caso com a mulher dele. Meu marido era folgado, mas era denada. Aquele lá tinha medo até de cachorro. Se ele fosse ladrão ou traficante agente tinha dinheiro. Mas ele tinha 3 empregos, e ainda não dava pra pagar tudo direito. Ele fazia caixinhas de madeira, era técnico de computação, e era ajudante de obras. Ele era mulherengo isso sim, não duvido nada que ele tenha tido alguma coisa com a vizinha”.

Mas, não foi bem isso que a Revista Veja publicou há exatamente 1 anos atrás. Na capa da Veja São Paulo, a chamada diz " Caem os homicídios em São Paulo: O número de assassinatos na cidade diminuiu 52% em cinco anos." Certamente os jornalistas Edison Veiga, Leonardo Fuhrmann e Rodrigo Brancatelli, não imaginariam que após tanto tempo a "errata" fosse revelada. Disponível nesse link na página virtual da Revista Veja, a reportagem relata a forma que o "esposo" de Danielle morreu:

"O mecânico Pedro Antônio de Souza enterrou dois dos seus cinco filhos neste ano. Ambos mortos pela polícia. O mais velho, de 25 anos, estava envolvido com traficantes e morreu em junho durante uma blitz. Quando a família ainda se recuperava da notícia, Pedro Antônio Júnior, também mecânico, levou um tiro de calibre 38 de um policial civil. Morreu a 15 metros da sua casa, na favela de Heliópolis, na Zona Sul. Nesse seu último dia, ele passou boa parte do tempo brincando com as filhas, de 2 e 4 anos. À noite, foi para um bar com amigos. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, quatro policiais de Osasco estavam disfarçados no local, em um Opala, esquadrinhando o seqüestro de uma empresária em Heliópolis. Júnior e seus colegas, que jogavam sinuca, teriam visto os investigadores conversando e atirado contra o Opala. Os policiais revidaram. O jovem mecânico foi o único que morreu."


Danielle teve acesso a matéria, e achou a publicação errônea um desrespeito. "Eles não imaginam o tempo que perdi com depoimentos, com meu testemunho. Fui chamada para reconhecer um possível assassino outro dia, é um sofrimento. Mas eles nem ligam, eu sou pobre, nem compro essa revista, porque que eles iam ligar? É a mesma coisa, publicaram nesta reportagem uma foto da minha sobrinha no colo do meu cunhado Pedro, sem autorização da minha cunhada. Venderam revista, ganharam dinheiro às nossas custas". Contudo, para Danielle esse não é o pior fato: "Queria só ver se fosse escrito algo errado de alguém importante, falar que um empresário morreu porque estava envolvido com tráfico. Mas eles nem pensam que ele tinha filhos que um dia iriam ler que seu pai morreu porque era traficante".

Na semana seguinte do assassinato, Danielle estava "aterrorrizada" e decidiu voltar para casa de sua mãe biológica. Até hoje não acharam o responsável pela morte do companheiro de Danielle, um moço de 22 anos, nascido em 14 de maio de 1984. Neste caso, mais uma vez, a vida imita a arte-marginal: " A minha verdade foi outra, não dá tempo pra mais nada/ Pápápá" (Racionais MC's).

1 Comment:

Anônimo said...

Essa é a Veja que nós conhecemos... credo!