Por um Ano Bom

São Paulo, 24 de fevereiro de 2008

Ontem foi aniversário de Danielle. Desde a tentativa frustada de aborto com Mizoprostol suas condições de vida parecem melhorar - relativamente.

Sua infecção foi controlada e atualmente trabalha em casas de família como faxineira. Não foi registrada, recebe R$ 200/ mês, por 4 dias de trabalho semanais, cada dia com uma jornada diária de 8 horas.

Ontem, Danielle ganhou uma cama usada da vizinha de sua patroa. Isso foi bem importante para ela, já que até então estava dormindo em uma cama quebrada, em que o estrado era composto por tábuas de madeira com muitos fungos adquiridos pela umidade.

Danielle foi minha convidada VIP no Campus Party, ela vistou o evento no dia 16/02 e ficou bem feliz por participar de uma coisa que estava passando na televisão. Eu, como coordenadora do Campus Verde, vejo que Danielle é um exemplo na economia de energia. Ela ficou absurdos 4 meses sem energia elétrica no final de 2007, por não poder pagar o valor acumulado de R$ 1000 para a AES Eletropaulo.

Ainda ela não conseguiu quitar o valor, que foi negociado...acredito que isso é um sério problema.

Em tempos que falamos de tecnologias limpas, ressalto o que acredito: A pior poluição é a miséria.

Ontem ela comentou que quer fazer a laqueadura no dia do parto, me pediu ajuda para resolver isso. Ela relatou que se sente muito cansada, já que o trabalho é muito pesado, também se sente desamparada emocionalmente. Chorou muito quando cantamos parabéns (eu, sua mãe, uma amiga e seus 2 filhos), com um pequeno bolo que eu levei. Ela ainda sente muita falta de seu marido e disse que às vezes acha que é mentira tudo o que já aconteceu em sua vida.

Estamos conseguindo roupinhas e já ganhamos sapatinhos para a menina. Uma amiga dará o berço e alguns amigos fizeram um mutirão para reformar uma parte da casa dela (que estava pior). Ontem os materiais para reforma chegaram.

Maira Begalli

1 Comment:

Anônimo said...

Nossa Maira, tudo isso que você está proporcionando a ela não tem preço. Depois me cobre de te contar a história da Didi, que de minha diarista virou comadre, pois acabei batizando o filho caçula dela. Nossa relação e história também é muito bonita, graças a Deus com menos sofrimento que enfrentou a Danielle.